Aprender a aprender: o que a pesquisa cognitiva diz sobre como estudar melhor
Ilustração: Ideia Viva
Se você estudou relendo o caderno antes da prova, sublinhou trechos de livros com marca-texto colorido ou fez resumos extensos, você usou técnicas de estudo que a pesquisa cognitiva classifica como pouco eficientes. Não é culpa sua — é o que a maioria de nós aprendeu a fazer. Mas há formas melhores.
O problema com a releitura
Reler parece intuitivo: quanto mais você vê algo, mais vai lembrar, certo? Errado. O problema é que a releitura cria uma ilusão de aprendizado. O texto parece familiar, o que o cérebro interpreta como domínio do conteúdo. Mas familiaridade não é o mesmo que memória recuperável.
Pesquisadores chamam esse fenômeno de "ilusão de fluência". Você reconhece o conteúdo quando vê, mas não consegue recuperá-lo quando precisa — na prova, na reunião, na conversa.
O que funciona: recuperação ativa
A técnica com maior suporte empírico na literatura de psicologia cognitiva é a recuperação ativa — em inglês, retrieval practice. Em vez de reler, você tenta lembrar o conteúdo sem olhar para o material. Flashcards, questionários, escrever de memória o que você acabou de estudar.
O desconforto de não lembrar é, paradoxalmente, parte do processo. Quando o cérebro trabalha para recuperar uma informação, ele fortalece as conexões neurais associadas a ela. A dificuldade é o mecanismo do aprendizado.
Espaçamento e intercalação
Duas outras técnicas com forte suporte científico: espaçamento (estudar o mesmo conteúdo em sessões separadas ao longo do tempo, em vez de uma sessão longa) e intercalação (misturar diferentes tópicos ou tipos de problema numa mesma sessão, em vez de estudar um assunto de cada vez).
Ambas parecem menos eficientes no curto prazo — você vai lembrar menos imediatamente após a sessão. Mas o aprendizado de longo prazo é significativamente melhor. A ciência do aprendizado é, em muitos aspectos, contraintuitiva.